Em Florânia nunca precisei apresentar minha identidade a ninguém, aliás, só emiti o documento quando precisei viajar para outro estado; mesmo assim, nunca tive problemas com isso. Em São Paulo as coisas são um pouco diferente: além de ser conhecido apenas por RG, o documento é fundamental a quem está saindo de casa. A questão é que nenhum dos demais documentos resume tão bem as informações pessoais de uma pessoa: nome, foto, nascimento, assinatura, filiação, impressão digital... Antes de sair, minha tia sempre falava: "já pegou o RG?", e eu achava desnecessário - até precisar usá-lo de verdade.
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Era um dia normal. Entrei no ônibus que sempre utilizo para chegar ao trabalho, agora, com uma diferença: havia um fiscal da SPTRANS (empresa responsável pela operação de ônibus em São Paulo) conferindo os bilhetes utilizados pelos passageiros. Como eu havia citado em uma das postagens anteriores, temos um benefício da prefeitura chamado Bilhete Único que permite a redução de tarifas nos transportes públicos e podemos utilizá-lo 4 vezes em três horas, pagando apenas uma passagem, que hoje custa R$ 2,70. Para estudantes, o custo é reduzido; no meu caso, pago R$ 1,35 por passagem. O fiscal pediu para "checar" meu bilhete, e, alternando olhares entre minha foto e meu rosto, pediu para dar uma olhada no meu RG também. Eu, confiante que sou, tirei da bolsa o documento e apresentei para o fiscal que logo me liberou. Para a infelicidade do rapaz que estava atrás, a foto do bilhete também não bastou para a identificaço e ele não estava com o RG naquele momento. O bilhete foi apreendido e ele foi obrigado a descer do ônibus.
Aqui, todos sabem o número do CPF e RG decorados. Para entrar em bar, balada, museu, prédios públicos e até alguns parques, é necessário apresentar o documento, ou, pelo menos fornecer o número dele. Temos também o sistema de Nota Fiscal Paulista que funciona da seguinte forma: todos os estabelecimentos comerciais são obrigados a emitir nota fiscal com o CPF do comprador, caso este opte pelo recurso, independente do valor da compra. Semestralmente é feito um cálculo sobre o valor das notas fiscais, e uma porcentagem do ICMS (30%) recolhido por esses estabelecimentos é devolvida pelo governo federal ao consumidor. Mensalmente, a Secretaria da Fazenda de São Paulo realiza sorteios com prêmios em dinheiro para os consumidores cadastrados no programa. Os prêmios sorteados variam de R$10,00 a R$50.000,00, podendo chegar a R$200.000,00 em datas comemorativas. Algumas pessoas recebem bastante dinheiro quando fecha o semestre, outras acham que é apenas uma forma do governo controlar os gastos e não optam pelo "CPF na nota". Mas os Paulistas são assim mesmo... Desconfiam de tudo por não conseguir diferenciar muita coisa.
Aléxia Raine de Pádua Araújo
Estudante de Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu - São Paulo/SP.